Olá! Seja bem-vindo ao site Caminho das mãos vazias. Nesse site você irá ver os seguintes tópicos:
- Origem do karatê;
- O karatê no Brasil;
- O karatê no RN;
- Os Estilos de karatê;
- A ética e a filosofia;
- Os três pilares do karatê;
- Graduações;
- O Karatê esportivo.
1. Origem do karatê
O Karatê começa no século XV em uma ilha denominada Okinawa, localizada a sul do Japão e a leste da China. Ela fazia parte do reino de RyuKyu. Para evitar revoltas e perder o trono, o Rei Shō Hashi proibiu a utilização de armas em RyuKyu, o que seria fato determinante para o surgimento do karatê, pois nas três principais cidades do reino acabaram surgindo três diferentes estilos de lutas desarmadas, uma em cada cidade, mas todas chamadas de "te". Na capital Shuri surgiu o estilo Shuri-te, marcado por uma postura mais natural e movimentos lineares. Na cidade de Naha surgiu o estilo Naha-te que era mais rápido e com golpes curtos. Na cidade de Tomari surgiu o Tomari-te, estilo mais acrobático.
Devido ao grande fluxo comercial, os chineses levaram à Okinawa além de mercadorias, mas também uma parte de sua cultura incluindo alguns estilos de kung fu, ensinando aos locais várias técnicas e posturas que com o tempo se incorporaram aos "te".
RyuKyu passaria por uma mudança política e cultural em 1609, quando os samurais invadiram o reino e apesar do reino continuar independente, ele sofreria influência japonesa. Nessas novas trocas de experiências culturais, logo ficou clara a diferença do Ju-jutsu japonês e os estilos de luta de Okinawa. Os japoneses preferiam projeções e arremessos, pois utilizavam armadura em combate, os okinawenses treinavam golpes como socos e chutes, pois eram mais eficientes sem armaduras. Porém, a maior influência dos japoneses nos "te" acabaram sendo na conduta, moral e na sistematização às lutas da ilha.
Coube então ao mestre Anko Itosu, então secretário do rei de RyuKyu encontrar uma maneira de sistematizar o ensino e difundir o "te". Ele acreditava que o "te" não era só uma luta, mas também uma forma de disciplina e construção do caráter. Foi nessa época que surgiu o termo Karatê-Do, que significa Caminho das mãos vazias. O significado dessa palavra reflete muito a origem do karatê, pois o mesmo foi originado pela proibição das armas, ou seja, mãos vazias. Essa adoção do termo foi importante para diminuir o preconceito dos japoneses, já que "te" era uma palavra que eles associavam essa palavra aos chineses.
a. Ginchin Funakoshi
Nascido em Shuri, no dia 10 de novembro de 1868, Ginchin Funakoshi foi quem realmente difundiu o karatê-do. Aos 11 anos (em 1879), viu seu país ser dissolvido e tornar-se provincia do Japão depois de muitas disputas, algumas delas violentas.
Mesmo nesse conturbado ambiente de disputas, Funakoshi treinava karatê às escondidas desde os oito anos, já que os japoneses haviam proibido a prática. Esses treinos eram durante a noite no quintal do mestre Anko Asato e era várias vezes observado pelo mestre Anko Itosu.
Em 1888 Funakoshi tornou-se professor na escola primária de Okinawa. O primeiro grande passo para a difusão do karatê aconteceu em 1902 durante uma visita do ministro da educação à ilha. Funakoshi conseguiu por meio de uma apresentação convencer o governo japonês a liberar o ensino do karatê naquela escola. A apresentação decisiva para o futuro de Funakoshi e do karatê aconteceu em 1921 quando o próprio príncipe herdeiro do Japão Hirohito esteve em Okinawa e assistiu as suas demonstrações. As suas demonstrações deixaram o príncipe encantado! Ele então chamou Funakoshi para demonstrar o karatê no Japão em Tóquio, capital do país e finalmente o karatê seria difundido pelo japão e depois pelo mundo.
Funakoshi faleceu no dia 26 de abril de 1957 em Tóquio, no Japão e é até hoje considerado o pai do karatê moderno. No seu túmulo está gravada sua célebre frase: "Karate ni sente nashi". O monumento está localizado no Templo Engakuji na cidade de Kamakura, Japão.
b. A origem do tigre shotokan
O Tigre Shotokan é talvez o símbolo mais conhecidos no mundo das Artes Marciais Japonesa, popular do karatê, representando a força, a velocidade e a virilidade do espírito do karatê. Felinos são símbolos de exploração, majestade e nobreza, que se alinham aos princípios de honra japonesa.
2. O karatê no Brasil
O karatê chegou ao Brasil no século XV, mais precisamente no ano de 1908 por meio de imigrantes japoneses que instalaram uma colônia no interior de São Paulo e na capital. No começo da sua prática no Brasil, os japoneses, dentre eles o sensei Akamine ensinavam aos poucos brasileiros que se interessavam no karatê
No começo o karatê era lecionado apenas informalmente, mas em 1956, na rua Quintino Bocaiúva, no centro da capital Paulista, o sensei Mitsuke Harada deu origem a primeira escola de karatê no Brasil. Ele ensinava o estilo shotokan. Em 1959, o sensei Akamine fundou a primeira escola de karatê do estilo Gōjū-ryū e em 1960 fundou a Associação Brasileira de Karate. Por meio da Associação o karatê no Brasil recebeu vários adeptos e hoje é uma das artes marciais mais praticadas do Brasil.
Abaixo vai uma lista com os principais percussores do karatê no Brasil:
- Shotokan
- Mitsuke Harada
- Juichi Sagara
- Eisuke Oishi
- Goju-ryu
- Seiichi (Shikan) Akamine
- Wadoryu
- Koji Takamatsu
- Takeo Suzuki
- Michizo Buyo
- Shorin-Ryu
- Kenyuryu
Abaixo vai uma reportagem sobre o karatê no Brasil:
3. Karatê no RN
A história do karatê no Rio Grande do Norte se inicia por meio dos conhecimentos adquiridos por fuzileiros navais em território carioca. Entre esses fuzileiros estava o sensei Juarez Alves Gomes, que iniciara o karatê em 1966 com o intuito bélico, ou seja, intuito de se autodefender.
Ao final do ano de 1968 e início de 1969, Juarez chegou a Natal como faixa marrom e implantou o karatê no Rio Grande do Norte.
O primeiro atleta faixa preta formado no RN foi Franklin Fernandes Ramos, um dos primeiros alunos de Juarez e do RN. Abaixo vai um vídeo de Franklin documetando algumas de suas vivências com a chegada do karatê na Cidade do Sol:
No início, Alves sofreu um pouco de resistência, pois a luta livre estava no seu auge, uma luta com pilares diferentes do karatê.
Hoje, o karatê conta com muitos praticantes no Rio Grande do Norte e diferentes federações. Federações essas que têm uma grande variedade de estilos. O passo inicial que Juarez promoveu foi de suma importancia para o desenvolvimento da arte marcial no estado do Rio Grande do Norte
4. Os estilos de karatê
Os estilos de karatê reconhecidos pela WKF (World Karate Federation) são Shito-ryu, Shotokan, Goju-ryu e Wado-ryu. Todos esses estilos originados durante a primeira metade do século XX. Reconhecidos pela WUKF, há os estilos Shorin-ryu, Uechi-ryu, Kyokushin e Budokan.
Contudo, há muitos outros estilos, mais ou menos conhecidos, como Shindo jinen ryu, Seiwakai, Shudokan, Toon-ryu, Chito-ryu, Kenyu-ryu, Isshin-ryu, Kudo, etc.
Cada estilo é uma forma diferente de praticar o karatê, ou seja, podem existir golpes semelhantes, mas com nomes diferentes, kata e kihon próprio, diferentes progressões de faixa e diferentes metodologias de ensino.
As escolas, kan (館 edifício, casa), por sua vez, são visões particulares de um determinado estilo. Muitas vezes elas se originam como tributos a mestres muito graduados e, algumas vezes, acabam se transformando em estilos propriamente ditos, como foi o caso do estilo Shotokan, que deve ser mais corretamente chamado de Shotokan-ryu (uma vez que Shotokan seria a Escola de Shoto e Shotokan-ryu seria o Estilo da Escola de Shoto). Uma "escola", nesta cércea, não é, portanto, um local de aprendizado de técnica, mas um conjunto de ideias dentro de um estilo.
Os mestres tradicionais acreditavam ser o karatê uma arte marcial flexível e fluente. A arte marcial deveria ser resultado de um constante processo de aprimoramento individual, abrindo, assim, uma grande margem para o surgimento de novos estilos, já que o karatê está em constante processo de evolução. Os estilos desevolvidos nunca serão idênticos pelo fato de que cada pessoa tem sua maneira de pensar e entender o karatê.
a. Qual o primeiro estilo?
O karatê teve como primeiro estilo criado o Shorin-Ryu. Por ser o primeiro criado, ele foi a base para a criação de outros estilos, como o shotokan. Graças a ele nós temos o karatê de hoje em dia.
5. A ética e a filosofia
Ginchin Funakoshi, no começo do século XX, aproveitou o aspecto da cultura japonesa para implementar ao karatê a solenidade aos treinamentos, o respeito com os mestres, instrutores e praticantes, de forma mútua, o que destaca o caráter e formação de bons cidadãos. Portanto, o karatê preza pela boa conduta não só dentro do dojo, mas também fora dele.
O treinamento tradicional do karatê deve começar e terminar com o mokuso, que nada mais é do que um momento de meditação com finalidade de preparar o karateca para os ensinamentos que receberá e, depois, refletir sobre o mesmo. A cada momento ou exercício faz-se o cumprimento no começo e no fim, sendo ética difundida em vários dojôs fazer uma reverência ao entrar e sair do mesmo. Abaixo vai uma imagem de como deve se executar o cumprimento:
A partícula "dō" (道), presente em seu nome, tem como significado caminho e deve ser interpretada de maneira bem abrangente. Pode ter significado de "caminho evolutivo", uma vez que o karatê-do quando praticado apresenta evolução constante. Pode também ter significado de ciclo de vida, entre outras definições. Portanto, é necessária a compreensão da palavra "dō" (em portugûes "caminho") para a boa conduta para com o karatê.
Nestas circunstâncias, o karatê se insere como uma das disciplinas do bushido, que nada mais é do que o código de conduta do guerreiro. Assim, o karatê é muito mais que uma luta (o "dō" rejeita esta visão limitada), mas é uma filosofia de vida. Os grandes mestres doutrinam o conceito de que, além do karatê não ser uma arte agressiva, se houver caso de embate, o karateca nunca faria o primeiro movimento. Portanto, o karatê é uma arte marcial de defesa.
a.Dojo kun
O dojo kun são os cinco lemas do karatê que devem ser seguidos por seus praticantes. Criado por Kanga Sakukawa, aproximadamente em 1750, originou-se com 20 regras, mas um sensei reduziu para cinco (quantidade a qual conhecemos hoje) para os ocidentais também poderem aprender.
São recitados no começo e/ou no fim das aulas de karatê, assim reforçando a ideia de que a arte marcial é antes de tudo um instrumento de aperfeiçoamento pessoal. Abaixo vão os cinco lemas do karatê (Dojo kun):
a. Dojo kun
>一、人格完成に努むること
HITOTSU! JINKAKU KANSEI NI TSUTOMURU KOTO!
Primeiramente, Esforçar-se para a formação do caráter!
Significa que deve-se esforçar-se para sempre ter um bom caráter, seguindo sempre as leis, sendo respeitoso e tudo o que envolva o bom caráter.
>一、誠の道を守ること
HITOTSU! MAKOTO NO MICHI O MAMORU KOTO! Primeiramente, esforçar-se para manter-se no verdadeiro caminho da razão!
Significa que sempre deve ter em si a valorização da honestidade, sempre sendo verdadeiro e sempre se guiando pela razão e não pela emoção.
>一、努力の精神を養うこと,
HITOTSU! DORYOKU NO SEISHIN O YASHINAU KOTO!
Primeiramente, Criar o intuito do esforço.
Significa que sempre deve-se ter a intenção de se esforçar sempre ao máximo pelos seus objetivos.
一、礼儀を重んずること
HITOTSU! REIGI O OMONZURU KOTO!
Primeiramente, Respeito acima de tudo.
Significa que sempre deve-se respeitar a todos, pais, filhos, amigos, patrão, subordinado, independente do cargo e/ou de quem seja.
>一、血気の勇を戒むること
HITOTSU! KEKKI NO YU O IMASHIMURU KOTO!
Primeiramente, Conter o espírito de agressão.
Significa que sempre deve- manter calmo e não usar o conhecimento em artes marciais contra os outros, sabendo eles ou não alguma arte marcial, alguma forma de se defender, sendo que tal conhecimento só deve ser usado em autodefesa e/ou defesa de alguém injustiçado.
Em japonês, o Dojo Kun sempre começa com a palavra Hitotsu (primeiramente), pois, para o pai do karate, todos os preceitos são importantes e devem ser exercidos igualmente.
b. Tode jukun
Sensei Anko Itosu, afim de divulgar o karatê por todo o Japão, se referiu à arte em forma de princípios que facilmente poderiam ser entendidos. Assim, os princípios ficaram conhecidos como "Tode jukun", ou em portugês "Os Dez Princípios de Tode". Veja abaixo uma lista com os Dez princípios:
- O caratê não é praticado apenas para o benefício individual, pode ser usado para proteger sua família e seu mestre.
- O propósito do caratê é tornar os músculos e ossos duros como rochas e usar as mãos e pernas como lanças.
- O caratê não pode ser aprendido rapidamente.
- Em caratê, treinamento das mãos e dos pés é importante.
- Quando praticar as bases do caratê certifique-se de manter as costas eretas.
- Pratique cada uma das técnicas do caratê repetidamente.
- Vós deveis decidir se o caratê é para saúde ou para auxiliar nos deveres.
- Quando treinar, faça como se estivesse no campo de batalha.
- Se se usar excessivamente sua força no treinamento de caratê isso irá causar a perda de energia.
- [...] O caratê auxilia no desenvolvimento de ossos e músculos. Ajuda tanto na digestão quanto na circulação.
c. Niju kun
Ginchin Funakoshi, instruido por Sakukawa, elaborou um código ético, Niju kun, a ser seguido por seus alunos, mas que se espalhou por outros dojôs. O nome "Niju kun" significa "literalmente as vinte regras". Veja abaixo as vinte regras:
- ...o caratê deve iniciar com saudação e terminar com saudação.
- No caratê, não existe atitude ofensiva.
- O caratê é um apoio da justiça.
- Conheça a si próprio antes de julgar os outros.
- O espírito é mais importante do que a técnica.
- Evitar o descontrole do equilíbrio mental.
- Os infortúnios são causados pela negligência.
- O caratê não se limita apenas à academia.
- O aprendizado do caratê deve ser perseguido durante toda a vida.
- O caratê dará frutos quando associado à vida cotidiana.
- O caratê é como água quente. Se não receber calor constantemente, esfria.
- Não pense em vencer, pense em não ser vencido.
- Mude de atitude conforme o adversário.
- A luta depende de como se usam os pontos fracos e fortes.
- Imagine que os membros de seus adversários são como espadas.
- Para cada homem que sai do seu portão, existem milhões de adversários.
- No início, os movimentos são artificiais, mas, com a evolução, tornam-se naturais.
- O treino das técnicas deve ser de acordo com o movimento correto (forma original), mas na aplicação torna-se diferente (livre).
- Não se esqueça de aplicar corretamente.
- Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.
6. Os três pilares do karatê
No karatê, existem três divisões que são formas de repetição e prática. Porém, uma divisão complementa a outra. São elas: Kata, Kihon e Kumitê. Veja abaixo cada uma e suas especificidades.
a. Kata
O kata é uma sequência de movimentos - ataques ou defesas - que simulam uma luta. Tem como objetivo proporcionar ao praticante maior aprendizado da arte marcial e, consequntemente, experiência de luta.
Cada forma do kata possui um componente psicológico, o que faz com que o praticante adquira serenidade, equilíbrio, resiliência, paz, tranquilidade e entre outras qualidades. O kata também possui componentes físicos, o que faz com que o praticante adquira força, flexibilidade, agilidade, velocidade, etc.
Os katas são a essência do karatê (segundo os grandes mestres). Neles estão contidos as grandes técnicas, ensinamentos e movimentos da filosofia que é o karatê. Contudo, os grandes ensinamentos do kata só são compreendidos com muita prática e estudo, não apenas com a simples ordenação dos movimentos.
Sabe-se que o te foi originado em Okinawa, mas não se sabe exatamente como os seus tipos
eram
lecionados devido a escassez de registros. Porém, sabe-se também que os chineses faziam a
transmissão
dos seus conhecimentos por meio de exercícios pré-estabelecidos, denominados "Tao".
Antes dos chineses influenciarem nos
te
não havia registros da prática do kata, então acredita-se que os "tao" foram o ponto de partida para
o
surgimento dos katas. Não se pode esquecer que o karatê surgiu com o intuito de DEFESA, o que faz
com
que os katas tenha o mesmo intuito.
O kata é formado por kyodos, que são os passos e o conjunto de técnicas dados na execução do kata.
O Kata pode ser praticado tanto individualmente quanto coletivamente. Quando feito sozinho, o praticante foca na precisão dos movimentos, na respiração e na concentração mental. Já em grupo, o Kata é executado de forma sincronizada, com todos realizando os mesmos movimentos ao mesmo tempo, o que exige disciplina, ritmo e harmonia entre os participantes.
Os estilos tradicionais (Shuri-te, Naha-te e Tomari-te) foram a base dos estilos modernos e ainda carregam as primeiras composições dos katas. Veja abaixo os estilos tradicionais com suas composições primordiais:
- Shuri-te
- Naihanchi
- Channan
- Pinan
- Kushanku
- Passai
- Jion
- Jitte
- Sochin
- Gojushiho
- Chinto
- Seisan
- Naha-te
- Naihanchi
- Sanchin
- Saifa
- Seienchin
- Shisochin
- Sanseru
- Seipai
- Kururunfa
- Seisan
- Suparinpei
- Tomari-te
- Naihanchi
- Bassai
- Gojushiho
- Kushanku
- Chinto
- Rohai
- Wanduan
- Wankuan
- Wanshu
b. Kumitê
O Kumitê (組手) é a parte do karatê que representa o combate, o momento em que o praticante coloca em prática todas as técnicas que aprendeu nos treinos. Ele é uma forma de aplicar socos, chutes, defesas e deslocamentos de maneira controlada, buscando sempre a precisão, o equilíbrio e o respeito ao adversário. No Kumitê, o objetivo não é machucar o oponente, mas sim demonstrar domínio técnico, autocontrole e capacidade de reagir com rapidez e eficiência. O combate exige concentração, agilidade e leitura de movimento, pois o karateca precisa entender o tempo certo de atacar e defender, mantendo sempre a postura e a calma. Além de desenvolver habilidades físicas, o Kumitê trabalha o aspecto mental e emocional do lutador, que aprende a controlar seus impulsos e agir com disciplina. Em cada troca de golpes há uma busca por harmonia entre força e controle, mostrando que o karatê não é uma luta agressiva, mas uma arte que valoriza o respeito e o aperfeiçoamento pessoal. Por isso, o Kumitê é considerado uma das expressões mais completas do karatê, unindo técnica, estratégia e espírito em um único movimento. Abaixo estão os principais tipos de kumitê:
O Ippon Kumitê é um combate com um único ataque. Um dos praticantes ataca, e o outro defende e contra-ataca. É usado para desenvolver reflexo, precisão e tempo de reação, sendo bastante comum nos treinos e exames de graduação.
O Ippon Kumitê é uma forma semilivre de combate. Os ataques e defesas não são totalmente combinados, permitindo mais liberdade na escolha das técnicas. Ele ajuda o karateca a se adaptar a diferentes situações e a controlar melhor a distância e o tempo.
O Jiyu Kumitê é o combate totalmente livre. Nele, os lutadores aplicam as técnicas de forma espontânea, sem combinações prévias. É o tipo mais avançado e representa a verdadeira aplicação prática do karatê, exigindo domínio técnico, autocontrole e respeito.
Por fim, o Shiai Kumitê é o combate realizado em competições. Os karatecas lutam dentro das regras esportivas, marcando pontos com golpes limpos e controlados. Ele exige não só habilidade física, mas também estratégia e disciplina.